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Fonte: http://cbn.globoradio.globo.com/ | POR JULIANA PRADO

Sentença remota, sala virtual para entrevistar candidatos e lives com especialistas. No segundo capítulo da série 'Adoção na Pandemia', você vai ouvir como a Justiça e as famílias têm se adaptado para tentar encaminhar algumas fases dos processos de adoção e aplacar a ansiedade, em meio ao coronavírus.

Quando decidiu adotar uma criança, o roteirista Pedro Henrique França não fazia ideia do que estava por vir. Da noite para o dia, o avanço do coronavírus fez com que ele e o companheiro refizessem as contas sobre o tempo que levariam até receber o filho ou filha em casa. Como muitos candidatos a pais e mães, o casal teve que contar com a tecnologia para não ver o sonho interrompido. Agora eles sabem que estão no mesmo barco que muita gente.

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“Todo mundo no Brasil que estava em processo de alguma coisa, se viu surpreendido pela paralisação prudente, necessária, obrigatória. Era preciso ficar em casa e, portanto, parar os processos", afirma o futuro pai.

Desde março, com o avanço da Covid-19, as varas de Infância e Juventude e os grupos de apoio foram atrás de alternativas. A saída foi instituir decisões judiciais remotas, via WhatsApp e e-mail. Outra ideia foi levar para as salas virtuais as quatro reuniões presenciais obrigatórias de habilitação dos candidatos a pai e mãe.

Ninguém imaginava que o WhatsApp viraria um aliado. O Pedro já participou da primeira reunião remota, e aprovou.

“Sejam as reuniões online ou qualquer situação em que a gente possa desacelerar a ansiedade, tudo que possa ser feito de forma digital, ajuda a amenizar o processo, que já é de muita apreensão em si”.

É pelo aplicativo, inclusive, que juízes estão renovando guardas provisórias de crianças.

Outra novidade são as lives com especialistas. A CBN acompanhou uma delas, com o juiz Iberê de Castro Dias, promovida pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família. A presidente da Comissão de Adoção do instituto, a advogada Silvana Moreira, conta que, por falta de agenda, o juiz dificilmente estaria presente em uma palestra no Rio, e falando pra tanta gente. O aplicativo comporta até 500 participantes.

Para Silvana, os encontros virtuais ajudam a tirar a ansiedade dos candidatos.

“Eles têm acompanhado através das salas, das reuniões, leituras recomendas, dos filmes... Tudo isso tem amenizado um pouco a angústia e a ansiedade. Talvez todo esse processo e esse tempo sirva pra que as pessoas entendam como será o exercício da parentalidade responsável. Essa que é tão apregoada em relação à adoção”.

Presidente do Fórum Permanente da Criança e do Adolescente, o juiz Sérgio Ribeiro de Souza admite que nem todas as etapas se encaixam no formato remoto. Mas ele defende que o modelo é eficaz.

“Estão sendo feitas as reintegrações familiares, as colocações em famílias substitutas, já houve entregas para adoção nesse período. Então, estamos trabalhando, mesmo com toda dificuldade e de forma remota, para que todo esse serviço tão importante não pare”.

É justamente no mês de abril que os abrigos têm que enviar relatórios sobre a situação de cada criança. A saída foi conseguir do CNJ autorização para que a análise, caso a caso, seja por sentença eletrônica.

No terceiro e último capítulo da série 'Adoção na Pandemia', você vai saber como está a situação da adoção internacional. Com o mundo em estado de alerta pelo coronavírus, as portas, de repente, foram fechadas pra milhares de crianças à espera de uma família.

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